Na última quarta-feira (15), foi realizado o 4º Seminário Autismo: Presente e Futuro, no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Minas Gerais (LFDA/MG), o antigo Lanagro. Com o tema “Conscientização na Rede de Educação: desafios e possibilidades”, o evento teve como objetivo promover reflexões sobre os possíveis caminhos para um ensino mais inclusivo e preparado para acolher todas as crianças.
O seminário foi dividido em dois momentos. Inicialmente, ocorreu a palestra da pedagoga Ana Paula Patente. Em seguida, houve uma mesa-redonda composta pela palestrante e por nomes como o vereador, professor e organizador do evento Fred Piau; o secretário de Educação Rafael Vitória; Thiago Becker, médico cirurgião; a gerente escolar da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Pedro Leopoldo (APAE), Denise Botelho; e a mediadora Chris Salomão, mãe de uma criança autista.
Em entrevista à N1, a palestrante e especialista em Educação Especial e Inclusiva, Ana Paula Patente, comentou a felicidade em ver o interesse crescente das pessoas em relação à educação inclusiva e a necessidade de uma maior compreensão sobre o tema por parte dos educadores. “A preparação vem do conhecer, do compreender, do estar presente em eventos como esse, que trazem informações sobre o que está acontecendo na atualidade”, afirmou.
A palestra percorreu diversas nuances da inclusão e acessibilidade para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ana Paula citou alguns marcos legais, a diferença entre currículos funcionais e acadêmicos no sistema de educação brasileiro, além da importância de garantir ao estudante com TEA um desenvolvimento pautado na conquista de uma vida mais autônoma possível.
A pedagoga explicou que, para fazer com que a inclusão aconteça, alguns pontos são essenciais, como a prática de um olhar mais atento e humano para cada estudante e a parceria entre família, escola e redes de saúde, assistência social e Ministério Público. “Quando todos trabalham juntos, a gente consegue fazer com que a inclusão possa acontecer de verdade e na prática”, sinalizou Patente.
Durante sua fala na mesa de abertura, Thiago Becker, atuante na gestão da saúde pública em Pedro Leopoldo e com foco na estruturação da rede de atendimento ao autismo, concordou com as ideias da palestrante. Em uma analogia à sua profissão, ele afirmou que é por meio dessa “suturação de tecidos” e da costura de parcerias entre as áreas da saúde, educação e familiares que se amplia o acolhimento e o suporte.
Entre os participantes do seminário, profissionais da educação ressaltaram a importância de espaços de formação continuada e apontaram desafios vividos diariamente nas escolas.
A educadora Ana Cristina Rosa afirmou que cursos e encontros como o seminário são fundamentais para a atualização dos profissionais. Segundo ela, esses espaços permitem levar novos aprendizados para a escola e aprimorar práticas inclusivas no dia a dia. A professora também observou que o acolhimento é essencial no trabalho com estudantes autistas e que cada criança deve ser recebida de forma individualizada.
Já a professora municipal Reginalda Pereira avaliou que a inclusão escolar na rede pública ainda enfrenta entraves estruturais. De acordo com ela, a falta de profissionais especializados e de profissionais de apoio escolar com formação adequada torna mais difícil o trabalho em sala de aula.
A educadora também destacou a importância da participação das famílias no processo e defendeu maior atenção do poder público. Segundo ela, fortalecer a educação inclusiva exige investimento em profissionais, capacitação e suporte contínuo às escolas.
Por Luiza Ferraz