Copa de 2026 reacende alerta para vacinação contra o sarampo no Brasil
Aumento da circulação internacional de turistas durante o Mundial preocupa diante dos surtos registrados nos países-sede
Por Luiza Ferreira Ferraz
Publicado em 26/05/2026 16:14
Saúde
Foto: Bernardo Portella/Bio-Manguinhos

A proximidade da Copa do Mundo de 2026 tem reforçado o alerta para a importância da vacinação contra o sarampo no Brasil. O torneio, que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México a partir de junho, deve ampliar a circulação internacional de turistas em meio ao aumento de casos da doença nos três países-sede.

O receio é que o fluxo intenso de viajantes favoreça a entrada e a disseminação do vírus em diferentes países. O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa e pode causar complicações graves, principalmente em crianças pequenas e pessoas com baixa imunidade.

Em nota técnica publicada em abril, o Ministério da Saúde orientou brasileiros que pretendem viajar para acompanhar os jogos a verificar e atualizar a caderneta de vacinação antes do embarque. Segundo a pasta, a imunização é a principal forma de reduzir o risco de infecção e evitar a reintrodução do vírus no país.

Os números registrados nos países que receberão a Copa têm aumentado a preocupação das autoridades sanitárias. De acordo com o ministério, o México já contabilizou mais de 9 mil casos de sarampo em 2026. Nos Estados Unidos, foram registrados mais de 1,7 mil casos neste ano, enquanto o Canadá soma centenas de confirmações da doença após perder o status de país livre do sarampo em 2025.

Apesar do cenário internacional, o Brasil segue sem circulação endêmica da doença. Ainda assim, dois casos foram confirmados no país em 2026. Um deles ocorreu no Rio de Janeiro, em uma mulher de 22 anos sem registro de vacinação. O outro foi identificado em São Paulo, em uma criança de seis meses que havia viajado recentemente para a Bolívia, país que também enfrenta surto ativo.

Vacinação continua sendo principal forma de prevenção

Em entrevista ao portal O Tempo, a infectologista Mariana Otake Yamada, professora da Universidade Anhembi Morumbi, afirma que a vacinação ajuda não apenas na proteção individual, mas também na redução da circulação do vírus entre a população.

No Brasil, a vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Crianças entre 6 e 11 meses podem receber a chamada “dose zero”. Pessoas de 12 meses a 29 anos devem tomar duas doses, enquanto adultos entre 30 e 59 anos precisam receber uma dose.

O Ministério da Saúde recomenda que viajantes atualizem a vacinação pelo menos 15 dias antes do embarque, prazo considerado necessário para o desenvolvimento da proteção adequada.

A instituição também orienta que pessoas que apresentarem sintomas como febre, manchas vermelhas na pele, coriza ou conjuntivite durante ou após viagens internacionais procurem atendimento médico e informem o histórico recente de deslocamento.

 

Por Luiza Ferraz

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