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Nesta primeira sexta-feira do mês de setembro (04), o Panorama N1 chega à mais uma edição ampliando a cena cultural do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Toda semana, novos trabalhos chegam aos palcos, às telas, às plataformas e aos espaços culturais. E aqui, esse movimento fica mais próximo do público.
Entre informação, contexto e agenda, o Panorama aborda a programação cultural regional, lançamentos de música, cinema, streaming e teatro, e termina com uma experiência comentada na Resenha Panorama.
Panorama da Semana
O pontapé é com o Panorama da Semana, com os principais acontecimentos que movimentam o país.
Rock in Rio começa nova edição nesta sexta-feira (04)
A Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, volta a receber o Rock in Rio a partir desta sexta-feira (4). A edição de 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro e reúne artistas brasileiros e internacionais em diferentes palcos.
Na abertura, o Palco Mundo recebe Nova Twins, The Hives, Rise Against e Foo Fighters, enquanto o Palco Sunset terá, entre os destaques, Di Ferrero, Detonautas com Biquíni e Capital Inicial com Dado Villa-Lobos.
Nos próximos dias, passam pelo festival nomes como Elton John, Gilberto Gil, Maroon 5, Demi Lovato, Black Eyed Peas, Calvin Harris, Stray Kids, Luísa Sonza e Ivete Sangalo. Um dos encontros mais aguardados acontece na segunda-feira, dia 7, quando Gilberto Gil se apresenta antes de Elton John, que fará seu único show no Brasil neste ano.
Agenda Cultural
O fim de semana reúne programações que ocupam diferentes espaços com música, artes cênicas, gastronomia e esporte. Entre Belo Horizonte e a Região Metropolitana, a agenda passa por celebrações de trajetórias, festivais que aproximam arte e outras pautas sociais, além de eventos que valorizam a produção e a identidade local.
Grupo Trampulim comemora 30 anos em BH
O Grupo Trampulim celebra três décadas de trajetória com a Mostra Trintô Trampulim, que ocupa diferentes espaços culturais de Belo Horizonte de 2 a 25 de setembro. A programação reúne sete espetáculos e duas oficinas, com trabalhos que passam pela palhaçaria, música e improvisação. Neste sábado (5), às 16h, o grupo apresenta “Manotas Musicais”, no Centro Cultural Usina de Cultura. A programação é gratuita e conta com intérprete de Libras em todas as sessões.
Acesse o Instagram do Grupo Trampulim para mais informações.
Festival da Banana movimenta Ravena neste fim de semana
O distrito de Ravena, em Sabará, recebe neste sábado (5) e domingo (6) a 17ª edição do Festival da Banana. A programação reúne gastronomia, música, artesanato e atividades esportivas, com a fruta como elemento central da festa. Entre os destaques estão as atividades de Cozinha ao Vivo e, no domingo, provas de Trail Run, Mountain Bike e Trekking.
Para mais informações e a programação completa, acesse o site da Prefeitura de Sabará.
Acessa BH começa nesta sexta-feira
A sexta edição do Festival Acessa BH começa nesta sexta-feira (4) e segue até 27 de setembro, em diferentes espaços de Belo Horizonte. A programação reúne cerca de 30 atividades voltadas à cultura DEF, entre espetáculos, performances, cinema, oficinas, rodas de conversa e lançamentos de livros. A abertura acontece hoje, às 20h, na Funarte-MG, com “SER(tão)”, da companhia potiguar Movidos Dança. No sábado (5), o grupo apresenta “Nuvem de Pássaros”, também às 20h, no mesmo espaço. As duas apresentações são gratuitas.
Acesse o site do Festival Acessa BH para saber mais informações sobre o evento.
Campeonato Brasileiro de Canoagem acontece em Lagoa Santa
A Lagoa Central, em Lagoa Santa, recebe até domingo (6) o Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem. A competição reúne 534 atletas de 36 clubes e 11 estados, com 260 provas previstas. Neste sábado (5), acontecem as disputas de 500 metros. No domingo (6), são realizadas as provas de 500 e 200 metros, das 8h às 18h.
Para dar zoom!
Desde o streaming a música, entre outros lançamentos, o Panorama separou alguns títulos que estão chamando a atenção.
Música
A primeira semana de setembro chega com artistas de diferentes cenas apresentando novidades, entre novas eras, projetos comemorativos e trabalhos que retomam momentos importantes de suas trajetórias.
Miley Cyrus abre caminho para seu décimo álbum de estúdio com “Bass Persuades”, faixa que aposta no dance-pop, com sintetizadores e graves marcados. A música também ganhou videoclipe com uma grande coreografia pelas ruas. O álbum, que leva o mesmo nome do single, está previsto para chegar no dia 18 de setembro.
Beyoncé, por outro lado, olha para duas décadas atrás. A cantora revisita “B’Day”, seu segundo álbum solo, em uma edição comemorativa que reúne 27 faixas, entre músicas do lançamento original, lados B e versões em espanhol. O projeto ainda recupera colaborações como “CAN I WATCH YOU”, com Pharrell, e “Welcome to Hollywood”, com Jay-Z.
E dois nomes do BLACKPINK chegam à semana com novidades solo. Jisoo apresenta “CLICK”, faixa pop romântica que transforma a conexão entre pessoas de mundos diferentes em narrativa, enquanto Lisa lança “SaWaDiKa”, gravada em Bangkok e marcada por referências às suas raízes tailandesas, incluindo o Muay Thai. As duas músicas apontam para caminhos diferentes dentro das carreiras individuais das artistas: Jisoo começa a apresentar seu próximo projeto, enquanto Lisa antecipa o EP “PRESS PLAY”, previsto para outubro.
Na música brasileira, Djavan também volta ao início da carreira. Exatos 50 anos depois do lançamento de “A Voz, o Violão, a Música de Djavan”, o álbum de estreia ganha uma edição especial remixada e remasterizada. O relançamento integra as comemorações das cinco décadas de carreira do cantor.
Para fechar a seleção, mais de 60 artistas se reúnem em “Arnaldo Baptista 7.8 – Canções Inesquecíveis Revisitadas”. O projeto celebra os 78 anos do músico com 56 releituras de sua obra solo, distribuídas em quatro coletâneas. As faixas chegam às plataformas nesta sexta-feira (4), acompanhadas por um programa audiovisual que será lançado posteriormente no YouTube.
Cinema
Os cinemas recebem novos filmes nesta quinta-feira (3), com produções brasileiras e internacionais entre os lançamentos da semana.
“Minha Melhor Amiga” leva Ingrid Guimarães e Mônica Martelli à Europa
Dirigida por Susana Garcia, a comédia brasileira acompanha Júlia e Clara, duas amigas na casa dos 50 anos que decidem viajar pela Europa. Ingrid Guimarães e Mônica Martelli interpretam as protagonistas, que passam por aventuras e imprevistos enquanto também lidam com a síndrome do ninho vazio.
“Gonzaguinha, da Maior Liberdade” revisita a trajetória do cantor
Dirigido por Susanna Lira, o documentário recupera a trajetória de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, e sua relação com o pai, Luiz Gonzaga. O filme também percorre momentos da carreira do artista durante a ditadura militar e recupera aspectos de sua história e de sua obra.
“Pressão” acompanha as horas que antecederam o Dia D
O drama de Anthony Maras se passa nas 72 horas anteriores ao desembarque aliado na Normandia, durante a Segunda Guerra Mundial. Andrew Scott interpreta o capitão James Stagg, responsável pela previsão meteorológica que ajudaria a definir o momento da operação, enquanto Brendan Fraser vive o general Dwight D. Eisenhower.
Além desses três destaques, a semana ainda traz “O Sorveteiro”, terror dirigido por Eli Roth; “Minha Filha é um Zumbi”, produção sul-coreana que mistura zumbis e drama familiar; “Idiotas”, comédia de Macon Blair; “O Grande Arco de Paris”, drama dirigido por Stéphane Demoustier; e “Como Roubar um Banco”, suspense com Nicholas Hoult, Zoë Kravitz e Anna Sawai.
Streaming
As plataformas de streaming também renovam seus catálogos nesta semana, com novos filmes, séries e documentários. Entre os lançamentos, alguns títulos se destacam no radar.
Na Netflix, a música argentina ganha espaço com “Fito Páez: O Mundo Cabe em Uma Canção”, disponível desde 3 de setembro. O documentário parte da trajetória do cantor para revisitar memórias, relacionamentos e momentos importantes de sua vida, aproximando essas lembranças da construção de sua obra.
A plataforma também recupera um episódio que ultrapassou o universo do esporte. “Untold: Raygun – A Polêmica do Breaking” chegou em 1º de setembro e volta à participação da australiana Rachael Gunn nas Olimpíadas de Paris. Conhecida como Raygun, a atleta viu sua apresentação no breaking viralizar e se tornar alvo de uma intensa discussão nas redes sociais.
Outro lançamento do catálogo retoma um acontecimento que completa 25 anos em setembro. “Ponto de Virada: Geração 11 de Setembro” chegou no dia 2 e revisita os atentados de 2001 e as transformações provocadas por eles nos Estados Unidos e no mundo.
Já no Disney+, o destaque é “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu”, disponível desde 2 de setembro, depois de passar pelos cinemas. O filme retoma a dupla formada por Din Djarin e Grogu em uma nova aventura pelo universo de “Star Wars”. Na mesma data, a plataforma também lançou um especial em LEGO inspirado nos personagens.
Literatura
Carla Madeira está de volta à literatura com “Quando”, seu quarto romance. Publicado pela Record, o livro acompanha uma família marcada por uma denúncia que separa mãe e filho por duas décadas. Viridiana entrega Tito à polícia após um acontecimento envolvendo o próprio filho, dando início a uma história atravessada por culpa, violência, maternidade e pelas consequências de uma decisão que permanece no tempo.
O lançamento em Belo Horizonte aconteceu na última terça-feira (1º), durante a programação dos 40 anos do Sempre um Papo. No Cine Theatro Brasil, a escritora conversou com Giovana Madalosso sobre o novo trabalho e sobre os caminhos que levaram à construção da história.
Depois de “Tudo é Rio”, “Véspera” e “A Natureza da Mordida”, Carla Madeira mantém em “Quando” o interesse por relações humanas complexas e conflitos familiares. O novo romance amplia esse olhar ao colocar o tempo e as consequências das escolhas no centro da narrativa.
Resenha Panorama
Nesta sessão, experiências culturais são transformadas em uma análise que combina contexto, percepção e leitura crítica da obra. A cada edição, a proposta é olhar para uma produção a partir do que ela apresenta, das escolhas que faz e das questões que provoca.
“Ocean’s 8”: quando o plano é bom demais para dar errado
Lançado em 2018, “Ocean’s 8”, no Brasil com o título “Oito Mulheres e um Segredo”, coloca Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Mindy Kaling, Sarah Paulson, Awkwafina e Rihanna no centro de um filme de assalto ambientado no universo da franquia “Ocean’s”. Dirigido por Gary Ross, o longa acompanha Debbie Ocean, que reúne uma equipe de especialistas para roubar um colar avaliado em US$ 150 milhões durante o Met Gala, em Nova York. O roteiro foi escrito por Ross em parceria com Olivia Milch, enquanto Steven Soderbergh, diretor da trilogia anterior, aparece como produtor.
A primeira coisa a dizer é justamente a mais simples: é muito difícil não gostar de olhar para esse elenco reunido. “Ocean’s 8” tem aquela sensação de filme feito para você acompanhar oito pessoas interessantes fazendo coisas interessantes. A apresentação de cada integrante funciona muito bem porque rapidamente entendemos qual é a habilidade, a personalidade e o papel de cada uma dentro do plano. Não é preciso esperar muito para saber quem é a especialista em joias, quem entende de tecnologia, quem consegue circular pelos lugares certos ou quem sabe se passar por outra pessoa.
Essa clareza é uma das forças do filme, mas também acaba sendo uma de suas limitações. Como cada personagem é apresentada de maneira tão precisa, quase nunca existe dúvida sobre o que ela será capaz de fazer quando chega a hora. O filme estabelece as peças e, quando chega o momento de usá-las, cada uma cumpre exatamente a função que já esperávamos.
O assalto é cheio de etapas absurdamente complexas, mas poucas delas realmente parecem ameaçar o plano. Quando surge um problema, a solução aparece quase imediatamente. Quando alguém precisa estar em determinado lugar, está. Quando alguma coisa poderia dar errado, o roteiro já parece ter preparado uma saída. O resultado é um filme muito confortável de assistir, mas que poderia ser muito mais instigante se nos deixasse um pouco mais aflitos.
Isso não significa que o filme precise transformar suas protagonistas em incompetentes. Pelo contrário. O prazer de um filme de assalto está justamente em acompanhar personagens inteligentes encontrando soluções. Mas existe uma diferença entre mostrar que uma equipe é competente e retirar dela praticamente qualquer possibilidade de fracasso. Em alguns momentos, “Ocean’s 8” parece mais interessado em nos mostrar que Debbie e sua equipe são capazes de fazer aquilo do que em nos fazer acreditar que elas realmente podem não conseguir.
Ainda assim, há uma química muito boa entre as personagens. Sandra Bullock e Cate Blanchett funcionam especialmente bem como o centro da equipe, e o elenco consegue fazer com que mesmo as integrantes com menos espaço pareçam ter uma identidade própria. Anne Hathaway, como Daphne Kluger, também encontra um espaço particular dentro desse conjunto e acaba sendo uma das presenças mais divertidas do filme.
Visualmente, o filme entende muito bem o universo em que está inserido. O Met Gala, as roupas, as joias, os hotéis e os espaços de Nova York ajudam a construir uma atmosfera de luxo que combina com a lógica da franquia. O golpe não acontece apenas em um lugar sofisticado: ele depende justamente desse ambiente para funcionar. A cidade e os espaços reconhecíveis também ajudam a manter a história ancorada enquanto o plano vai ficando cada vez mais improvável.
“Ocean’s 8” talvez pudesse ser mais tenso, mais imprevisível e até mais ousado. Mas existe uma diversão muito específica em ver essas oito mulheres juntas, cada uma ocupando seu espaço dentro de um plano que parece impossível e, ainda assim, vai encontrando uma maneira de funcionar. O filme sabe muito bem o prazer que existe em montar uma equipe assim — e talvez o que falte seja justamente dar a ela um desafio à altura.
Por Luiza Ferraz